Ontem, dia 04 de dezembro, faleceu mais um grande da literatura brasileira, Ferreira Gullar. Muitos conhecidos lamentaram sua morte, mas outros tantos também me disseram, “mas Bruna, quem é esse? ”. Talvez você também não saiba a importância que Ferreira Gullar teve na literatura e cultura brasileira, porém acredito que algumas de suas obras você certamente conhece – ou deveria conhecer. Hoje, nada mais do que justo, o Alameda Literária será desse grande brasileiro.

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Nascido em São Luís, em 10 de setembro de 1930 com o nome de José Ribamar Ferreira, era considerado, até este final de semana, o maior poeta vivo da literatura brasileira. Iniciou sua carreira na década de 1940, em sua cidade natal. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ganhou maior destaque e colaborou com diversas publicações, entre elas revistas e jornais, além de ter participado ativamente da criação do movimento neoconcreto.

A poesia de Ferreira Gullar sempre destacou-se pelo engajamento político e social, principalmente a partir da década de 1960. Nessa época, Gullar aderiu ao Centro Popular de Cultura (CPC), grupo de intelectuais de esquerda criado em 1961, no Rio de Janeiro, cujo objetivo era defender o caráter coletivo e didático da obra de arte. Nota-se que o autor assumiu um compromisso claro com as classes mais populares, sua obra busca nitidamente dar voz àqueles que não a têm e evidencia a correlação de forças que se estabelece no interior da sociedade.

Perseguido pela ditadura militar, Ferreira Gullar exilou-se na Argentina, Chile e União Soviética durante os anos de repressão. Lendo os poemas de Ferreira Gullar e compreendendo a produção artística como um fenômeno que não está afastado do momento histórico, percebe-se que a poética de Gullar foi a expressão que melhor detectou as aspirações populares durante e após o período da violenta intervenção militar no Brasil, com obras repletas de fortes tensões psíquicas e ideológicas.

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A importância do poeta foi reconhecida tardiamente. Seu nome foi, inclusive, apresentado por um grupo de intelectuais e artistas do centro do país, como candidato ao prêmio Nobel de Literatura em 2002. Em 2007, Gullar foi agraciado com o mais importante prêmio literário de nosso país, o Prêmio Jabuti com o livro Resmungos. Gullar possui um perfil intelectual pouco encontrável na época contemporânea, a qual privilegia a superespecialização. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. O livro de poesia Em Alguma Parte Alguma, que foi considerado “O Livro do Ano” de ficção e lhe rendeu mais um Prêmio Jabuti. Em 2014, aos 84 anos, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira de número 37, que pertenceu ao escritor Ivan Junqueira, morto nesse mesmo ano.

Okay, mas, afinal, o que ele escreveu, Bruna? Bom, Gullar escreveu um pouco de tudo: crônicas, teatro, antologias, uma biografia da Nise da Silveira, ensaios e um filme, além de sua vasta produção poética. Além de sua obra mais célebre, Poema Sujo (1976) – escrito durante seu exílio na Argentina, Ferreira Gullar também é reconhecido popularmente pelas colaborações nas telenovelas Araponga (1990/1991), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998) e Irmãos Coragem (1995), todas da Rede Globo.

Além de poeta, Ferreira Gullar possui um papel relevante como teórico da poesia e da arte em geral, além de ter sido dramaturgo, roteirista e pintor.

 

FONTES:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar

https://sinop.unemat.br/projetos/revista/index.php/norteamentos/article/view/836/588

http://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de-ferreira-gullar/

 

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