garota-interrompida-capaTítulo original: Girl, Interrupted

Autora: Susanna Kaysen

Editora: Única Editora

Edição: 2ª Edição – 2013

Páginas: 192

ISBN: 978-85-731-2862-8

Classificação: 5/5

 

Quando a realidade se torna brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Kaysen era uma delas. Susanna termina o ensino médio, mas não sabe que caminho seguir, o que para os pais já seria um problema, mas a vida da jovem se complica ainda mais quando ela se envolve com um professor e tenta se matar. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era algo que seus pais, amigos e professores simplesmente não conseguiam entender.

Cada pessoa é uma pessoa. Cada um faz o que é possível fazer.

Sua vida transforma-se ao sair cedo de casa e ir para uma consulta com um psiquiatra, que a convence se internar em um hospital psiquiátrico. McLean tornou-se seu lar durante dois anos, onde ela conheceu outras jovens, com problemas maiores e distúrbios grandes, mas suas diferenças irão uni-las. Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma durante esse período. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade. Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é a sanidade?

É claro que eu estava triste e confusa. Tinha 18 anos, estávamos na primavera e eu ali, atrás das grades.

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O livro é autobibliográfico, por isso mesmo acredito que Garota, interrompida é um clássico moderno que fala sobre a passagem da adolescência para a vida adulta de forma sincera e, por isso, brutal. As páginas são poucas, mas intensas, densas, pesadas. Não foi uma leitura fácil, pelo menos para mim, pois esse é livro que exige do leitor certa força emocional que eu não tenho.

A princípio, esperava um relato mais detalhado da autora desses seus dois anos de internação, porém o livro é uma espécie de coletânea de contos sobre o hospital psiquiátrico, com a rotina das pacientes, de Susanna e a rotina dos funcionários. Refletindo agora, é compreensível que Kaysen não tenha escrito um livro mais longo, uma vez que suas memórias sobre esse período devem ser realmente dolorosas. Por ser um livro de memórias, ele não segue uma linha temporal rígida e, muitas vezes, você se pergunta o que aconteceu depois ou o que aconteceu com determinada paciente – sou muito curiosa, então esses pequenos detalhes me irritaram um pouco, não negarei.

A repulsa sempre tem um quê de fascinação. Será que isso poderia acontecer comigo? Quanto menos provável essa coisa terrível, menos nos assusta contemplá-la ou imaginá-la.

Durante a leitura, comecei a me questionar se Susanna realmente precisava ter sido internada ou não, já que muitas vezes ela parecia mais lúcida e racional do que eu mesma. O livro tem várias reproduções de prontuários de Susanna e em muitos momentos as anotações deles parecem exageradas. Nesses pontos, parece que até a sanidade do leitor é questionada. A parte mais dura, na minha humilde opinião, é o final. Fica óbvio que esses dois anos marcaram e mudaram radicalmente a vida de Kaysen e de todas as garotas que passaram pelo McLean.

Não me perguntem sobre essas perguntas! Não me perguntem o que a vida significa ou como vemos a realidade ou por que temos de sofrer tanto.

Termino com um apelo desesperado: leiam esse livro! Hoje! AGORA!

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2 comentários em “Garota, Interrompida

  1. Oi, Bruna!
    Conheço o filme pelo nome, sei que foi uma grande sucesso na época de lançamento, mas para mim sempre foi aquela história que acabamos deixando para depois, sabe? “Um dia eu assisto…”, “um dia eu leio…”, e assim o tempo vai passando. Pela sua resenha, parece ser uma história realmente densa, mas interessante ao mesmo tempo. Quem sabe? Talvez esse “um dia” vá chegar antes do que eu esperava…

    Beijos e boas festas!
    Leilah Nogueira

    https://confissoesdeumleitor.wordpress.com/

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