tatodomundomalAutora: Jout Jout

 Editora: Companhia das Letras

 Edição/Ano: 1º Edição – 2016

 Páginas: 197

 ISBN: 978-85-359-2720-7

 Classificação: 4/5

 

 

Desde o segundo semestre do ano passado, o Brasil vem passando por um modismo literário: o livro de youtuber. Em geral são os pré-adolescentes que leem esse tipo de coisa e, em geral, as pessoas têm muito preconceito com esse tipo de livro porque “são um lixo”. Concordo em parte. Na maioria dos casos, os livros de youtubers são desinteressantes, falam sobre a vida de pessoas que têm 12 anos, são produzidos para vender mesmo, enfim, uma chatice sem fim. Mas uma coisa precisa ser dita: não são mal escritos. É sério, pense bem, acha mesmo que todos os livros de youtuber são escritos por eles? Não, a maioria é escrita por ghost-writers, então…

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“Mas Bruna, a resenha de hoje é de um livro de youtuber, não tô entendendo”. Eu sei, caro leitor, eu sei. Mas, veja bem, Jout Jout é diferente. Ela é única youtuber em anos que eu “acompanho” – não sou o tipo de fã que fica vendo o canal dela todos os dias só para ver se tem vídeo novo, não é isso, porém ela é a única youtuber que eu paro e penso “poxa, acho que tem vídeo novo, vou dar uma checada”. E eu gosto da Julia porque ela não fica falando abobrinhas apenas para gravar um vídeo sobre alguma coisa. Não. Jout Jout fala sobre o que ela acredita.

É o mesmo que falar “essa menina não tem noção de ridículo”. O que é noção de ridículo? Eu nunca soube. Quem define esse ridículo?”

Por exemplo, ela não faz merchandising porque a marca vai pagar um bom dinheiro para ela, não, Jout Jout faz merchan porque ela acredita no produto, porque ela usa, porque Julia gosta e acha que as outras pessoas também irão gostam/usar.

Tudo bem, eu também não acreditava muito nessa história de “merchandising por ideal”, mas passei a acreditar quando uma professora minha que trabalha em uma editora disse que já cansou de mandar livro para a Jout Jout fazer merchan e ela nunca fez porque ela só faz quando ela realmente gosta da coisa – palavras da minha professora, juro. E também ela diz sobre isso no livro, então tenho dois argumentos.

Okay, chega, não estou aqui para fazer merchan dos merchans da Jout Jout. Estou aqui para falar sobre o livro dela e explicar porque eu comprei este livro e não o livro da Larissa Manoela, por exemplo.

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Comprei Tá todo mundo mal porque Jout Jout é uma pessoa que tem princípios, porque ela pesquisa antes de sair falando por ai e, quando ela não sabe, ela diz. Me vejo um pouco nela, me identifico com a postura dela sobre os mais diversos assuntos e acredito que ela não faz videos no You Tube para ficar/continuar famosa, ela tem muita coisa boa para dizer e por isso eu gosto dela e comprei o meu primeiro (e espero, último) livro de youtuber.

As pessoas geralmente têm um contato semanal comigo, editado, por não mais do que vinte minutos, e isso basta para despertar amor, ódio ou indiferença.

Tá tudo explicadinho? Tá tudo certo? Então vamos lá.

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Tá todo mundo mal é, basicamente, um livro de crônicas. Jout Jout conta para nós pequenos eventos de sua vida que ela acredita que todos nós já vivemos também. Á nosso modo, mas, de certa maneira, situações parecidas. Crises parecidas. Como a crise constante que era ter um Tamagotchi, porque ele sempre morria. Ou a crise da ausência de talentos. Ou, ainda, a crise de quando você percebe que a sua vida não é uma série norte-americana e que você já está assistindo aquela série há quatro horas. A crise de ser uma amiga ruim (quem nunca?). A crise do sexo da vida real (de novo, quem nunca?). A crise de não saber lidar com a morte (mais um vez: quem nunca?). E, a minha preferida: “A crise das coisas que pareciam certas na hora, sem um motivo aparente, e você acaba duvidando da validade delas por isso, e depois acha tranquilo, porque tudo bem”.

Talvez se eu estivesse observando um pôr do sol em uma praia deserta, nada disso teria acontecido, mas eu estava em um banquinho sujo do metrô, então…

São 46 crises, digo, crônicas, escritas por Jout Jout – ela mesma, não um ghost-writer (sim, perguntei para a minha professora e ela confirmou) – com o prefácio do Caio Franco. Sim, aquele Caio, o ex da Jout Jout que continua sendo amigaço dela (você que acompanha os vídeos dela sabe de quem eu estou falando).

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Ao mesmo tempo em que o livro parece uma extensão do canal dela, Tá todo mundo mal mostra um lado bem neurótico e dramático de Jout Jout – afinal, ela está escrevendo sobre crises, não sobre momentos de felicidade pura”. Cada crônica é um bate-papo com o leitor sobre um tema que, no começo, parece não ter nada a ver com você, mas que no final você para e pensa “hey, aconteceu algo parecido comigo”.

Um dia você vira a pessoa que mais irritava você e se irritava com a pessoa que um dia você foi. Nem sei dizer exatamente onde está a crise e quantas crises são. Mas olha aí a bagunça.

Eu não recomendaria este livro para todo mundo. Não, esse negócio de livro de youtuber é muito complicado, tem muito preconceito ainda. Inclusive eu tenho um pouco de preconceito ainda. Mas, se você estiver de disposto a ler um livro de crônicas /relatos leve, bem humorado e sincero, eu indicaria Tá todo mundo mal, porque esse é o livro.

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